Considerações acerca dos Sonhos.

b85895521ec8e838a76a8197bfe5cf43Aqui constam algumas considerações feitas durante  a entrevista sobre Surrealismo e Cinema.

Muitas pessoas se indagam sobre os sonhos e seus significados. É comum o chamarem de bizarros e estranhos, devido a sua estrutura e imagens não convencionais . Nesta entrevista tento explicar uma pequena parte da compreensão que temos dos sonhos, da mesma forma pretendo manter de fácil compreensão me abstendo dos aprofundamentos mais complexos.

Como funciona nosso inconsciente?

Para o referencial da psicologia de Carl Gustav Jung (1875-1961) o inconsciente é formado de tudo que é desconhecido e nos afeta diretamente, não estando, portanto, nisto ou aquilo. Assim, tudo aquilo que não pertence a nossa consciência está designado ao inconsciente. Na consciência estão todos os conteúdos que possuem atributo pessoal, ou seja, são experimentados como exclusivos de uma pessoa. Já o inconsciente é formado em parte através das colisões entre a consciência e as experiências e de estruturas inatas e herdadas pela espécie chamadas arquétipos.

Em psicologia analítica se considera um erro considerar a personalidade de uma pessoa resultante daquilo que ela carrega apenas de sua consciência, pois ela abarca apenas uma pequena parte da complexidade do indivíduo. Personalidade seria a totalidade dos atributos psíquicos daquele individuo, portanto abarca o inconsciente, uma vez que ele participa ativamente nos relacionamentos, visão de mundo, ideias e atitudes da pessoa.

É importante esta introdução para poder caracterizar o funcionamento do inconsciente. Ele funciona por regras e linguagem estranha a consciência. A pergunta abre um grande leque de explicações, portanto escolherei apenas uma característica geral do seu funcionamento. Estes pares de opostos (consciência X inconsciência) representam polos de um sistema dialético, onde através de suas influências mútuas constroem uma personalidade saudável, adequada e completa. Chama-se esse processo dialético de individuação, processo de desenvolvimento da personalidade que possibilidade o homem tornar-se si mesmo.

Por que os sonhos são assim desconexos, disformes?

Os sonhos soam bizarros, grotescos, bobos a maioria das pessoas. Isso se deve ao fato de que são produto do funcionamento do inconsciente, umas das produções mais diretas que se tem acesso. O inconsciente tem uma maneira singular de expressão e atua de maneira diferente da lógica consciente, ou seja, não apresenta tempo, espaço, relação causa-efeito e lógica, por isso a atividade onírica ganha este tom bizarro. Porém, ao se analisar uma série de sonhos do mesmo indivíduo pode-se perceber que eles reproduzem uma série de imagens, temas e símbolos que quando estudados remetem a estruturas mitológicas, uma narrativa mítica expressa através de uma da linguagem do inconsciente, a linguagem simbólica.

Entende-se que o sonho é uma criação particular e única do individuo e diz respeito somente a ele e a mais ninguém, os símbolos lá encontrados, naquele contexto só podem afetar a pessoa que o sonhou, assim, o mito reproduz um sonho coletivo que dizf8b9a7e2872612f5f72dce04a25faf7a respeito a aquela sociedade na qual foi concebido. Resta nos perguntar, quais são os mitos contados a respeito de nossa própria época, podemos ter alguma ideia verificar nas artes, cinema e contos que mais impactam as pessoas. Um mito contemporâneo que diz muito sobre nossa sociedade atual é Star Wars de George Luccas, este filme foi concebido após um longo estudo do livro “Herói de Mil Faces” do mitólogo Joseph Campbell.

Os sonhos podem nos influenciar?

Não só pode como o fazem, mesmo que nada saibamos sobre seu funcionamento. Quantos de nós não acordamos e já ligamos para aquele amigo e dizer “cara, você apareceu no meu sonho”? Despertamos assustados com um sonho que nos provocou medo ou podemos acordar felizes por ter sonhado com aqueles que amamos. De fato os sonhos nos influenciam constantemente.

Os sonhos nos comunicam algo, para a psicologia analítica o sonho tenta nos mostrar aquilo que nossa consciência não pode ver, ou melhor, não quer ver. O sonho serve de ponte para aquilo que necessitamos incorporar a nossa consciência através de um complexo mecanismo de auto regulação para que o desenvolvimento da personalidade ocorra.

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Aleksey Litvishkov

São desejos e ideias reprimidas por nós no dia-a-dia?

Não necessariamente. Através da auto regulação do sistema psíquico algo reprimido durante o estado de vigília pode se tornar tema do conteúdo onírico, porém existem diversos outros conteúdos que acabam por nutrir as imagens produzidas nos sonhos. O inconsciente conta apenas com a experiência da consciência para comunicar o que deseja, assim tudo aquilo que cerca o cotidiano da pessoa pode ser utilizado para personificar a mensagem e as estruturas autônomas no inconsciente que desejam entram em contato com a consciência por diversos outros motivos que não só “ideias premidas durante o dia-a-dia”.

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3 comentários sobre “Considerações acerca dos Sonhos.

  1. Pingback: [ENTREVISTA] Surrealismo: ilusão sobre as telas, distorção da vida. | Diogo Guimarães

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