[ENTREVISTA] Surrealismo: ilusão sobre as telas, distorção da vida.

1115288-5717-cpContribui cedendo uma entrevista para uma matéria sobre o cinema Surrealista. Fui convidado pelos alunos de Jornalismo da PUC-PR a tecer alguns comentários sobre o funcionamento dos sonhos e do inconsciente para que desta forma conseguir desvendar um pouco do efeito que esta categoria cinematográfica apresenta. Quer saber mais? segue o Link: Surrealismo: ilusão sobre as telas, distorção da vida.

Se quiser saber um pouco mais sobre o que foi explicado no momento da entrevista eu criei outro post sobre isso: Considerações a cerda dos Sonhos.

Segue a transcrição da matéria em seguida:

Brincar com a realidade e causar o choque no espectador é a base da vanguarda

O movimento surrealista, nascido no início do século XX na França, esteve presente nas mais diversas áreas de criação exercidas pelo homem. Suas fortes características puderam e ainda podem ser hoje encontradas nas mais belas e incompreensíveis obras de arte, nos textos literários e também, por que não, no cinema.

Sempre destacando a esfera do inconsciente, o surrealismo no cinema buscou quebrar o tradicionalismo cinematográfico, fugindo de alguns padrões como, por exemplo, o enredo dos filmes. Muitos foram surpreendidos pelos roteiros inusitados e chocantes do cinema surrealista, e isso sim pode ser considerado um padrão.

Talvez por este mesmo motivo, o choque e a surpresa com os quais nos aguarda um filme surrealista, possamos entender o porquê da falta de popularidade deste gênero nas estantes de blockbusters espalhadas pelo mundo. De uma maneira simples, as produções inseridas neste gênero tendem a confundir e distorcer o raciocínio lógico do pensamento humano – como acontece no inconsciente, nos sonhos.
A fim de tentar desvendar e entender um pouco os sentimentos que envolvem esta vanguarda, nossa equipe realizou uma enquete com 26 pessoas pela rede social Facebook através da qual disponibilizamos um pequeno trecho de O Cão Andaluz (1929), de Luiz Buñel,uma cena curta e aparentemente simples na qual a personagem corta o próprio olho.

O intuito da enquete foi causar espanto, surpreender e receber em retorno a reação do público ao assistir a cena. A maioria das pessoas sentiu agonia, dor, aflição, não gostaram de assisti-la e não a veriam novamente, como foi o caso de Márcia Rodrigues da Silva.

Por outro lado, o gênero surrealista também agrada o gosto de outro tipo de público, no qual se inclui o estudante de jornalismo Getúlio Xavier. “Essa é uma das melhores cenas do cinema. Me causa agonia também, mesmo gostando muito”, disse. E mesmo gerando tanto desconforto, a cena também chamou atenção. “além de aflição, curiosidade. Tanto que pesquisei a origem da cena”, comentou Luan Maoski.

Lembrando que o surrealismo trabalha também com o mundo dos sonhos, do inconsciente, o psicólogo Diogo Guimarães esclarece alguns pontos relevantes da mente humana. “Tudo aquilo que não pertence a nossa consciência está designado ao inconsciente. Na consciência estão todos os conteúdos que possuem atributo pessoal, ou seja, são experimentados como exclusivos de uma pessoa. Já o inconsciente é formado em parte através das colisões entre a consciência e as experiências, e de estruturas inatas e herdadas pela espécie”, explica.

Podemos perceber o tom bizarro que a maioria dos filmes surrealistas dispõem, assim como a interpretação deles varia de pessoa para pessoa, como acontece com nossos próprios sonhos.

“Entende-se que o sonho é uma criação particular e única do indivíduo e diz respeito somente a ele e a mais ninguém, os símbolos lá encontrados, naquele contexto só podem afetar a pessoa que o sonhou (…). O inconsciente tem uma maneira singular de expressão e atua de maneira diferente da lógica consciente, ou seja, não apresenta tempo, espaço, relação causa-efeito e lógica, por isso a atividade onírica ganha este tom bizarro”, completa Guimarães.

O cineasta Rodrigo Grota, que já usou dos recursos e técnicas do surrealismo em seus curta-metragem, fala de seu olhar sobre a vanguarda. “Geralmente o público vai ao cinema para acompanhar a evolução de uma trama, uma história com certa dramaticidade. O Surrealismo rompe os princípios básicos da narrativa clássica – ele frustra certas expectativas. Ele decepciona o público, não cede ao seu gosto. Acho que de certa forma o público se enraivece diante dessa postura de “narrar recusando qualquer narrativa”, diz.
Quanto ao novo século em que vivemos, e a partir da vinda do surrealismo, Grota ainda complementa. “Antes todos estavam ali para se compreenderem mutuamente. Após o Surrealismo e outras manifestações de ruptura do começo do século XX, o pacto se tornou outro: enquanto alguém narra, o outro talvez compreenda, talvez não se relacione com nada que está sendo proposto. Isso já não é essencial. O mundo passa a permitir o grito em silêncio, o monólogo em multidão, a voz única que não se identifica. São novas possibilidades sensoriais, nem melhores nem piores. O mundo é sempre insuficiente”.

Produção: Agência Vertigo

Texto: Laís Holzmann

Edição: Bruna Martins

Imagem: Divulgação

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